“Papai, parece um porquinho!”

A receita é do Carlos Siffert: frango assado com limão siciliano.

Mas o “modo de fazer” não prevê uma ajudante de dois anos e meio.

Primeiro, a ida ao supermercado para comprar o frango e as ervas.  Bem ao lado da gôndola do frango, uma degustação de queijo. Tentei passar de fininho, meio de lado, mas não escapei:

“Papai, quero queijinho”.

O problema é que ela quer provar o queijinho repetidamente. Da próxima vez, levo ao mercado uma coleção de perucas, óculos e bigodes postiços para poder repetir a degustação umas trinta vezes.

Com o frango e as ervas em mão, fomos para casa.

“Papai, posso ajudar?”

E lá vem ela arrastando um banquinho para ficar ao meu lado na pia. Traz seu pratinho rosa de plástico, sua faquinha lilás e seu garfinho branco.

Primeiro, picar as ervas. Tentei disfarçar colocando alguns galhos de tomilho no seu prato, mas sabe como é criança. Ela queria mesmo é picar o tomilho de verdade. Na prática, o que ela faz é pendurar-se no meu braço sob o pretexto de me ajudar a picar tudo.

Levei o dobro do tempo para picar tudo, fazer a manteiga de ervas e besuntar o frango. A essa altura, obviamente a Lívia também já estava besuntada.

Quando reservo as ervas e pego o frango, o momento da revelação. Lívia olha para aquele bicho rosado e exclama:

“Papai, parece um porquinho!”

6 comentários sobre ““Papai, parece um porquinho!”

  1. Sim, agora compreendo o movimento “snow posting”. É assim que fala? Bom, o que interessa é que o texto é lindo, inspirado. Valeu!

  2. Sim, agora compreendo o movimento “slow blogging”. O texto é lindo, inspirado. Valeu!

  3. os pequenos querem sempre ajudar e participar das coisas que fazemos, isso é muito legal…..

  4. Sandro
    Incrível que ao ler essa história e me ver transportada à minha cozinha de domingo, chocolate pelas paredes, cinco mil colheres sujas, cascas por todo lado e banquinhos para mexer nas tigelas. Enquanto escrevo estas linhas, minha filha menor me trouxe “majericão” da nossa hortinha, para fazer a “pizzinha, aquela que eu gosto”.
    Lamento não termos mais “tempo” para aproveitar esses momentos. Mas que a inspiração continue!
    E fiquei feliz também ao saber que Carlos Siffert tenha ajudado com a receita, ele foi e é um grande amigo que me iniciou no “pensar” a cozinha.

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