Fique nas mãos do chefe (mas diga que gosta de doces)

Dois dias em Madri, três em Sevilha, e depois cruzar o Alentejo, passando pela região fronteiriça onde se produz presunto e, na sequencia, se vêem imensos olivais. Com os olhos fartos de castelos e fortalezas, onde cacei dragões e princesas com a Lívia, chegamos finalmente em Sintra.

E aqui o @umlitrodeletras faz uma pausa na história para contar a experiência gastronômica mais memorável até agora – um almoço na Tasca da Esquina, do chef Vitor Sobral. A Tasca da Esquina é um projeto que moderniza a tasca portuguesa, com um ambiente mais moderno e a comida mais leve e inteligente do Vitor – já antecipando: os pratos são alguma coisa como um cruzamento entre Mara Salles e Raphael Despirite.

Chegamos na Tasca às 15:20, a apenas 10 minutos do fechamento, mas o chef responsável, Hugo Nascimento, aceitou nos servir o menu “Fique nas mãos do chefe”. De entrada, pães, azeitonas e um delicioso queijinho amanteigado de ovelha – para minha sorte a Sra. Litros não tolera queijos de ovelha, e a pequena Lívia dormia cansada de tantas escadas e passagens secretas do Castelo de São Jorge em Lisboa.

As duas entradas frias eram uma sopa fria de tomate com ameixas e uma mousse de camarão com laranja. A entrada quente, cogumelos gratinados com creme de berinjela e hortelã. O prato com peixe foi um pampo empanado, peixe típico dos Açores, suave como um linguado, servido sobre uma fatia de batata de doce e um creme de coentro (consultei furtivamente o guia, mas ele não registrava: em Portugal também é falta de modos lamber o prato?). Foi neste ponto que a Lívia acordou e comeu todo o peixe da mãe. Esperta: a combinação do peixe com a batata doce e o coentro é perfeita. O Hugo, atencioso, trouxe mais um peixe para nós. Para finalizar os pratos quentes, um naco macio de porco servido sobre purê de maçãs – um purê ácido, diferente dos adocicados que eu conhecia.

Naco de porco com purê de maças - Tasca da Esquina

Se uma sobremesa boa salva uma refeição ruim, o que dizer de uma sobremesa excelente depois de uma refeição memorável?  Não tenho certeza se a refeição é sempre encerrada com a degustação de sobremesas, ou se serviram para nós porque comentamos com o chef sobre nossa busca por bons doces. No que provamos, tinha: bolo de chocolate com creme de maracujá e cenoura, creme queimado, pudim de claras e pudim do Abade de Priscos com calda de abacaxi, hortelã e coco – o pudim é uma espécie de quindim, se for possível imaginar o quindim mais cremoso e saboroso que alguém já provou. A calda de abacaxi ajuda a equilibrar a doçura dos ovos, é e aqui que insisto em repetir os adjetivos inteligente  e moderno para o que vi e comi.

Sobremesas na Tasca da Esquina

A comida da tasca é portuguesa do começo ao fim, mas leve e com pequenas interferências inteligentes para equilibrar exageros históricos, como a calda de abacaxi para o pudim. A apresentação é bonita, o conjunto é bom e o preço é justo. O menu degustação de cinco etapas custa 26.50 euros. Nossa conta só ficou mais alta quando foram adicionados água, um espumante de entrada, cafés e outros extras. Mesmo assim, encerramos com 90 euros (sem vinho, apenas 2 taças de espumante).

…e então fomos comer pastel de Belém e visitar o túmulo do Camões.

4 comentários sobre “Fique nas mãos do chefe (mas diga que gosta de doces)

  1. Caçamos dragões, princesas e despejamos óleo fervente do alto das muralhas sobre os infiéis que não acreditaram que os dragões e as princesas não estavam ali.

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