Bom para comer, bom para pensar (parte 2)

Na categoria Pratos Vegetarianos, as duas melhores escolhas eram o Arroz Negro Tostado com Legumes Verdes do D.O.M e o Cuscuz de  Mini-Verduras do Maní. A Panelinha de Legumes da Brasserie do Jacquin foi o prato mais intragável de todo o prêmio – a escolha da sua foto para a chamada de capa do Estadão no dia da publicação dos resultados é, para mim, um mistério editorial. Afinal, nem era bonito como estava ali. Fiquei com o Cuscuz, e guardei meu entusiasmo para a categoria Carne Suína.

O javali do D.O.M era impecável, mas não atendia à minha regra essencial para selecionar um prato: voltaria feliz para comer o mesmo prato no dia seguinte. Neste momento, o Lobo Mau se deparou logo com o cochinillo do Arola. E estava convicto de que esse prato seria o vencedor, até me ver frente a frente com a bisteca do Le Jazz. No fim das contas, empate. Não havia nenhum elemento nos pratos que pudesse fazer a minha escolha pender para um ou para outro. Minha decisão? Um voto “ideológico”, que o Heitor e Cícero não entenderam, mas o Prático aprovou: entre um prato pequeno que custa R$ 54,00 e uma refeição farta por R$ 34,00, achei que o leitor do jornal merecia saber que em São Paulo ainda é possível comer bem por um preço razoável. Convicções derrubadas por um sopro.

No mesmo Le Jazz, a raposa, que já conhecia o Ovo Mollet da casa, contava com uma boa possibilidade de vitória. Pena. O ovo chegou com a gema cozida, e ovo mollet com gema cozida não é ovo mollet. É outra coisa. Outros jurados apontaram para outros pequenos problemas da casa, o que parece mostrar que ali há mesmo uma questão séria de regularidade.

Mas, de volta à entrada, os destaque da categoria eram as Vieiras Frescas do Alaska do Jun Sakamoto e o Ovo Pochê do Emiliano. Mais um empate. Do ponto de vista gastrônomico, dois pratos perfeitos, que correspondiam ao meu critério principal: voltaria para comer. E novamente, recorri a um desempate por outro critério. Pense bem: ou as vieiras são frescas, ou são do Alaska. Nem o Google Maps consegue calcular a distância entre o Alaska e o Brasil. Num momento em que a tendência é valorizar ingredientes locais, mais frescos e com uma pegada ecológica menos crítica, o Ovo Pochê me pareceu a escolha mais correta. Não foi o único lugar em que encontrei ingredientes “frescos” que fizeram uma longa viagem. No Arturito, uma sobremesa do cardápio continha “frutas vermelhas frescas da Patagônia”. Ora, novamente, ou as frutas são frescas, ou são da Patagônia.

O Arturito ofereceu a melhor refeição de todos os restaurantes visitados. Fico feliz que a casa, aparentemente, tenha vencido o dilema ou o-serviço-é-bom ou a-comida-é-boa, que tinha deixado um gosto amargo na minha última visita.

Mas para falar de serviço e outros itens, volto logo mais na parte 3 da maratona.

3 comentários sobre “Bom para comer, bom para pensar (parte 2)

  1. Adorei o texto, ri muito com os ingredientes “frescos” – demorou pra gente perder o preconceito de comer sashimi em Rib. Preto, te entendo hahahaha!
    E gostei dos insiders do premio. Aguardando o proximo texto. Bjs

  2. Ótima percepção da manipulação da informação (ai, quanto ão…) – ou é fresco, ou é de longe. Puro , e simples. Parabéns novamente.

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