À minha horta, torta


Minha horta sobrevive. Já colhi umas três dúzias de laranja kinkan, aprendi a secar o manjericão no forno (amigos, aguardem ervinhas no aniversário, no Natal, no aniversário do ano que vem), e plantei uma capuchinha que nem murchou.

Certo de que aprendi a controlar a água (em que pese um pé de tomilho morto por afogamento), resolvi passar para a próxima fase e também alimentar as plantas. O que faz um homem moderno para alimentar sua família e seus gatos? Vai ao supermercado, claro, e compra comida comida em caixinhas.

Para gatos, há uma quantidade de produtos invejável: “Sabores do Mar”, “Beauty Fit”, “Sensações Marinhas”, “À Moda do Chef”, “Exigent” e “Light” (nem listei todos). Animal de estimação, hoje em dia, passa incrivelmente bem. O grau de sofisticação da comida acompanha as mais recentes tendências de alimentação humana. É possível encontrar rações com carnes exóticas, como canguru, antioxidantes e outros componentes funcionais e até comida vegetariana para cães (aprendi tudo isso com o Mukund Parthasarathy, um cientista consultor da indústria de alimentação para animais).

Mas então eu estava no supermercado e procurava comida para plantas. Tinha caixinhas de adubo para orquídeas e caixinhas de torta de mamona para árvores frutíferas, hortas e gramados. Peraí, só isso? Como as plantas modernas podem sobreviver?

Poxa vida, pessoal de marketing, vocês ainda não descobriram esse nicho? Minhas plantinhas nunca serão felizes só com torta de mamona! Quero “torta de sabores da Provence” para adubar o manjericão. Meu pé de laranja exige ser tratado com “torta de pato” e o pé de pimenta não vai mais sobreviver sem uma “torta de chiles mexicanos”. Isso é praticamente um oceano azul (verde?) de negócios! Há um potencial de consumo imenso, com milhões de pessoas nas grandes metrópoles que plantam salsinha na janela do apartamento.

E só para deixar registrado um pedido, não se esqueçam do meu pé de jabuticabeira. É uma fruta brasileira, talvez seu adubo preferido seja “torta de macaxeira”.

5 comentários sobre “À minha horta, torta

  1. Estava pensando em abrir um novo negócio. Aceita um sócio? Podemos lançar uma linha de mercado incluindo instrumentos para arar a terra sem machucá-la, anestesia para poda de plantas e árvores, e por aí afora.
    Finalmente, Sandro!!! Forte abraço. Sentimos falta de seu texto.

  2. Genial, sempre divulgue sua idéia; é isto não;
    Não é muito mais, bela observação e interessante maneira de divulgar sua horta, mesmo que sem ainda uma Jabuticabeira.
    Dalmo.

  3. Também comecei minha hortinha com cebolinha, salsinha, hortelã, sálvia, coentro, manjericão, manjerona, orégano e alecrim. Já estão fazendo aniversário de 2 semanas. Será que elas sobreviverão apenas com água, bom dia e tchau da minha filha? Espero que sim! Quando fizer a primeira colheita, eu conto (assim espero!).

  4. Vamos iniciar um negócio novo? Fora as rações para plantas nos mais diversos sabores, que tal desenvolvermos uma linha de acessórios neste segmento? Tipo…rastelos que não machucam as raízes. Medicamentos anestesiantes pré-poda. Livros de auto-ajuda para plantas problemáticas. Terapia de ego para comigo-ninguém-pode. E por aí adiante…
    Abraços!!! Sentia falta de seus textos.
    Até.

  5. Q tal uma comida caseira pra sua horta, com composto feito em casa com cascas e talos frescos dos vegetais que vc tb come? Melhor ainda, não acha? garanto q não é difícil

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