Ruim para a cintura, bom para a economia

Há três décadas, 70% dos americanos diziam evitar lanchinhos entre as refeições. Este número caiu para 30% e a prática do snacking, que faz brilhar os olhos da indústria, não aumentou apenas entre os americanos. O hábito também cresce na França, apesar de 90% dos franceses afirmarem a importância de uma verdadeira refeição em torno da mesa (no Brasil, apenas 47% das pessoas dizem que isso é importante).

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No futuro, todos comeremos jaca

Alguns pesquisadores sugerem que jaca é a comida do futuro. A planta é extremamente produtiva e resistente a pragas e mudanças climáticas. Jaca verde desfiada e temperada corretamente parece carne de porco, e começa a aparecer em cardápios de Londres a Los Angeles. Nos EUA, a Upton Natural’s e a Jackfruit já vendem o produto embalado em supermercados para ninguém sujar as mãos de visgo.

Quer botar a mão na jaca? A Neide Rigo tem receitas.

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Hoje Proust comeria sucrilhos?

A cena é um clássico: o aroma de um bolinho mergulhado no chá transporta para o passado. Foi assim que Marcel Proust imortalizou as madeleines no romance “Em Busca do Tempo Perdido”, criando o mais conhecido símbolo do poder evocativo da comida. Só que a editora Saint-Peres acaba de revelar que Proust tinha escrito versões anteriores em que as memórias eram despertadas por torradas com mel e biscotti. A decisão final foi baseada na preferência pessoal de Proust ou no melhor efeito literário? Se fosse hoje, a escolha seria apenas efeito da estratégia de product placement e merchandising de alguma marca de alimentos.

O que há em um nome

Cafés são meu segundo escritório. Um lugar onde procuro wi-fi, poltrona e, incidentalmente, um bom espresso. Mas será que é mais confortável trabalhar no Sofá Café, mais científico trabalhar no Coffee Lab e mais focado trabalhar no Por um Punhado de Dólares? Em Londres, o site “Information is Beautiful” fez uma taxonomia de nomes de cafés e encontrou desde “Tremors” até “Mother’s Milk”.

Sr. Drácula, aceita uma água de coco?

O New York Times diz que a principal mudança recente na dieta norte-americana é a queda no consumo de refrigerantes. A Lucky Peach avisa sobre o exagero de achar que água de coco pode substituir o plasma sanguíneo. De acordo com o relatório que mapeia 12 tendências em alimentos e bebidas da Mintel, aditivos artificiais são o novo “inimigo público número 1.”

Epuff…ania

Quando eu quero organizar as ideias, coloco um CD de música clássica no volume máximo e organizo o freezer e a geladeira. Faço um inventário meticuloso que começa com a identificação dos ovos por data de compra e termina com a organização simétrica das laranjas na gaveta. Revejo o que existe congelado no freezer. Realoco os itens nas prateleiras de acordo com a data de consumo. Descarto potes sem data, cuja cor e aparência já não trazem pistas de sua origem em um jantar distante (“Só sobrou um restinho mas está uma delícia, congela que a gente come domingo que vem.”) Por fim, com todos os potes na geladeira arranjados por tamanho e com o rótulo voltado para a frente, termino a atividade com a mente tranquila — pelo relato que ouço dos adeptos da meditação, o efeito deve ser semelhante.

Hoje eu acordei, escolhi um CD favorito (a trilha sonora do filme Bleu, do Kiéslovski) e coloquei no aparelho. O tempo nublado, o clima ameno, a casa em silêncio e eu antevendo o prazer da arrumação da próxima meia hora. O aparelho fez um puff…, soltou uma fumaça com cheiro de queimado e apagou sem devolver meu CD.

Puff! Fiquei sem meu CD, perdi a graça de arrumar tudo, decidi começar a segunda-feira com as ideias confusas e mal organizadas, algumas novas, algumas velhas, algumas congeladas sem pistas de sua origem em uma epifania distante (“Que ideia incrível, segunda-feira que vem começo esse projeto sem falta.”)

O gosto na língua e na cabeça

É mesmo meio estranha a faculdade que eu tenho de lembrar, por anos a fio, do gosto de outras pessoas. Isso já me proporcionou uma refeição memorável, quando recebi em casa um amigo da família e fiz para ele um prato que ele mencionara casualmente há mais de vinte anos: era um cozido de carne e legumes que incluía pegaços de espiga de milho verde para serem sugados depois da refeição.

Lembro-me do ex-marido de uma colega de trabalho (eu o vi uma única vez na vida) que gostava de pudim de leite condensado com caldo de limão espremido por cima. Tem também meu primo, que raramente encontro, mas sei que gosta de suco de laranja batido no liquidificador. E ainda um antigo colega de trabalho que gostava de rabanete e detestava rúcula.

Onde é que está, afinal, o gosto de tudo isso? Na língua ou na cabeça? Como sentimos e como comparamos os gostos? A partir de 16 de outubro, e por quatro sextas-feiras, Carlos Alberto Dória e eu falaremos sobre a construção do gosto na cultura e na gastronomia, abordando desde os antecedentes de Brillat-Savarin até a compreensão atual deste conceito. Mais informações aqui: http://up.mackenzie.br/extensao/cursos-de-extensao/gastronomia/a-cultura-e-a-formacao-do-gosto-1610-a-0611/